Take a look!

O que é certo?

Agosto 7, 2008 · 1 Comentário

Que critérios usamos pra descrever o certo, ou melhor, distingui-lo do errado? O que é certo para mim pode não ser lá muito ético para você. Mas como chegar a um concenso conceitual?

Dizem que o certo é sempre o que se faz de modo que não haja prejuízo pra ninguém. Mas nem sempre conseguimos que ninguém saia perdendo quando tomamos uma decisão.

O errado é bem mais fácil de categorizar: geralmente é o que nós não aceitamos, o que não queremos. Ou o que não entendemos. Há quem respeite as leis (cada vez mais eu acho que respeito é um conceito em extinção), mas mesmo assim incorrem no meu conceito de errado, prejudicando alguém desnecessariamente. Verdade seja dita: nem sempre a justiça é justa (falo da justiça humana, é claro).

Se não sabemos se  a nossa noção geral de certo/errado será aceita, como agir? Eu pelo menos tento sobreviver à minha consciência, ela é a minha maior juíza, meu tribunal interno, minha pior cadeia. Resta saber se todas as pessoas um dia são tocadas por suas consciências.

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Uai sô!

Março 25, 2008 · 2 Comentários

Quem nunca foi a vários lugares no Brasil e percebeu, com um ar risonho, que ele tem uma diversidade cultural enorme? Quem sulista nunca ficou sem entender um nordestino ou um nortista?

Já viajei um bocado. Minha mãe me diz sempre que eu já tive sotaque nordestino, quando criança (é que eu já morei no Rio Grande do Norte e na Paraíba). Quando morava no Pará, não tinha um sotaque paraense tão forte assim. Foi só chegar ao Mato Grosso que eu notei, de cara, que eu tinha uma linguagem muito própria, bem diferente da maioria das regiões do Brasil.

Uma boa maneira de ter noção do quanto os sotaques no Brasil são vastos – e engraçados – eu sugiro esse vídeo:

Essa mulherada sofre mesmo!

Perdão aos gaúchos.

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Amor?

Março 12, 2008 · 1 Comentário

Corazón

Amor. A gente sempre sente por alguém, mesmo que seja pelo cachorro. O que é o amor, já que estamos falando disso?Amor é aquele sentimento que faz as pessoas pensarem mais em alguém que não seja “eu”. Dá um frio na barriga, uma ansiedade dolorida, calor – mesmo que esteja fazendo um frio gostoso à noite, vontade de ficar perto, sentir o cheiro e cuidar da pessoa amada como se ela fosse a última sobre a Terra. Camões define bem o amor, em sua contradição:

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Eu acho que o amor deveria ser como um arquivo executável. Executamos quando for do nosso agrado, deletamos se ele nos traz problemas.
É uma pena que as coisas não sejam assim tão fáceis.

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Confiança

Março 7, 2008 · 3 Comentários

Esquisita essa coisa que nós temos de confiar nas pessoas. Posso não falar com tanto conhecimento de causa assim – afinal, raras são as pessoas que sabem mais sobre mim, as que conhecem os meus anseios e desejos mais secretos – mas posso falar com conhecimento no que se tratar de receber a confiança das pessoas.

Qualquer estranho na rua consegue confiar em mim. Quando estive na rodoviária de Goiânia, em escala para a viagem para Belo Horizonte um certo cara que morava na cidade de onde saí me pediu para que eu cuidasse das coisas dele enquanto ia comprar passagens. Fosse eu qualquer outra pessoa, teria roubado uns trocados que eu vi ele pôr na agenda antes de deixá-la em cima das malas. Muita confiança, inocência, vocês hão de convir. Poderia ele ter-se atido a isso, mas meia hora depois de voltar, eu já sabia de toda a vida amorosa do nosso amigo Henrique (sim, esse é o nome dele). Tudo oq eu fiz foi dizer que ele parecia meio abatido e, como eu estava tomando café, eu o ofereci a ele. De repente ele começou a falar sem parar!

 

Às vezes eu acho que tenho um detector de pessoas que precisam de um ombro amigo. Eu sempre estou perto de alguém assim. E geralmente, esse alguém mantém o contato, me conta o desfecho da sua história e então desaparece. Certa vez uma conhecida minha de um cursinho de vestibular me disse que eu tinha sido um anjo na vida dela, por eu ter dito as coisas certas na hora certa. Ela acredita que passou no vestibular graças a fé que eu a fiz ter.

Será esse mais um indício que eu estou aqui pra confortar as pessoas e continuar em um constante desconforto? De qualquer forma, me sinto bem em ser útil, mesmo que o meu beneficiário desapareça na multidão minutos depois…

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Ser ou não ser?

Março 5, 2008 · 4 Comentários

Coisa esquisita. Estava eu almoçando quando me lembrei de certa vez em que refletia sobre a existência. Eu tinha 8 aninhos, que coisa mais fofa.

Pensava: “Será que eu existo mesmo? Será que eu tou sonhando?” O que me fazia ter essa impressão? Por que as coisas pareciam tão estranhas?

Posso divagar sobre isso em minha vã e leiga filosofia: acredito que nessa idade eu estava começando a ter consciência do mundo à minha volta. Nunca tinha parado antes para pensar no que vinha a ser o “sentir”. Hã?! Sentir no sentido de sensorial, calor, frio, dor, barulhos, silêncio…Eu me perguntava se aquilo era  real, e como aquilo acontecia.

Alguns anos mais tarde, na minha iniciação científica, meu orientador me dissera que isso é o espírito do filósofo. “É, eu sei” – disse-lhe. “Li sobre linhas de raciocínio natural em um livro sobre Sócrates”. Olhando-me com um ar sorridente, ele me mostrou uma imagem sobre a mesa do laboratório, uma flor branca de manacá, bem conhecida por mim, principalmente pelo cheiro. “Sei que você conhece essa planta olhando para ela. Sei que você também é capaz de reconecê-la pelo seu cheiro. Essa é a diferença entre saber porque conhece a teoria e saber porque você teve a prática. Posso ver a prática em seus olhos”.

Daí em diante eu tive certeza de que queria ser psicóloga.

O curioso é que eu preciso dar sentido a diversos acontecimentos, tentar prever o comportamento das pessoas em análises hipotéticas, sempre considerando as hipóteses mais absurdas e as mais óbvias. E quanto a mim? Será que eu posso prever meu comportamento, será que eu existo só na mente dos outros e não na minha? Quanto tempo eu dediquei a auto-análise? Será que eu tenho perdido tempo demais com os problemas e as vidas dos outros?…

Cheguei a conclusão, com o fim da minha refeição (e com o perdão da rima) de que só se conhece bem aquele que se investiga antes de investigar a outrem. Tá bom, minha avó sempre me dizia que o macaco ri do rabo dos outros e se esquece de olhar o próprio rabo. E assim deixamos de ser o que somos.

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Bebê?

Março 5, 2008 · 4 Comentários

Parei pra pensar hoje em algo bonitinho: ter filhos.

Nunca pensei em ter filhos e morar com uma mulher grávida me fez repensar assunto…

Sei lá. Imagine que tem alguém dentro de você. Alguém crescendo, ou vindo tudo o que você ouve, “comendo” o que você come, sentindo a alegria ou a dor que você sente. Uma vida que representa a união de duas, mesmo que só por um momento.

Parar pra pensar no que uma nova vida representa pra mim foi estranho. Nunca quis nada além de um gato dependendo de mim, e de repente, bateu vontade de ter família, com “aquele cara”. Casar, MEU DEUS, eu pensei em me casar!

Tudo isso porque eu sinto falta de ter alguém que dependa de mim, alguém que precise de mim desesperadamente. Maldita carência afetiva que nos faz refletir em conceitos-clichê.

Mas…querem mesmo saber? Se eu tiver a quem me dedicar, me dedicarei; se eu quiser ter um gato, eu o terei. Se eu quiser ter um filho, eu o terei. Não vou me proibir de mais nada, já chega de auto-repressão…

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Ciência e consciência

Fevereiro 26, 2008 · 6 Comentários

 

Já me perguntaram várias vezes se eu não tenho a consciência pesada com tantos ratos mortos na minha conta. Será que eu pareço tão cruel assim?

Eu sempre tenho que explicar as mesmas coisas:

Não gosto de fazer testes em coisas vivas. Elas sempre têm que morrer depois;

  • Entre fazer um teste com um ser humano e fazer um teste em um rato, eu e todo mundo tendemos a preferir os ratos ou coelhos;
  • Se não fossem as cobaias, onde faríamos nossos testes?!

O que mais me intriga nessas discussões sobre consciência científica é o fato de a maioria das pessoas achar que os animais sofrem muito e nós não ligamos pra isso. Claro que me preocupo. Não só eu como o Método Científico, em cujas listas de procedimentos há especificações para o uso de anestésicos e procedimentos-padrão para sacrifício sem sofrimento.

 

Pensando friamente, nós, cientistas, nada seríamos sem as cobaias. E ainda há quem queira o fim do uso de cobaias. O que mais eles querem? Que paremos de pesquisar plantas porque elas podem ficar murchas? Desculpem-nos, ó seres piedosos, pois somos cruéis e buscamos as curas para as doenças através de testes doloridos e torturantes. Somos criaturas sem coração, de fato.

Se não concordam com o método científico corrente, favor não usufruir de seus benefícios. Melhor voltarem para as cavernas e arrastar suas mulheres pelos cabelos, morrer de febre e ter pulgas.

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Olá, mundo cruel!

Fevereiro 24, 2008 · 6 Comentários

Tr00!!!!!11 

Tá bom, vai, resolvi aderir de uma maneira mais descompromissada aos blogs. Por quê?Porque eu sempre tenho algo a declarar sobre alguma coisa, só por isso.

O que esperar de mim? Quem me conhece sabe que eu sou sincera e às vezes não meço as palavras. É para fins de extravasar idéias absurdas ou o que seja que eu escrevo aqui. Tratarei daquilo que eu achar que devo, não há um assunto específico. Não se assuste se por acaso um palavrão ou um relato de pensamentos estranhos aparecerem neste endereço.

Não crio expectativas sobre a aceitação do que eu escrevo. Adoro críticas, portanto não hesite em criticar o que ler.

Posso falar o que eu quiser? Claro, mesmo se esse não fosse um país livre, pelo menos aqui você pode xingar até a própria mãe se quiser.

E que venham as pedradas!!!!

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